O último relatório anual da Comissão de Estudos e Prevenção de Acidentes no Transporte de Produtos Perigosos no Estado de São Paulo registrou 1.012 ocorrências (acidentes e incidentes), com média de 84,33 ocorrências por mês de acidentes relacionados ao segmento em 2022. Houve queda em relação a 2021, que apresentou 1.095 ocorrências, com média de 91,25 por mês.
Segundo a Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), que faz parte da comissão, as ocorrências com produtos perigosos são menores quando os números são comparados aos sinistros de trânsito. No entanto, a preocupação não é quantitativa, pois as consequências advindas de um único tombamento com vazamento de produto perigoso podem trazer sérios danos à população, ao meio ambiente e às empresas.
Segundo o vice-presidente da ABTLP e coordenador da Subcomissão de Estudos da Região da Baixada Santista, Sérgio Sukadolnick, é importância conhecer os pontos onde ocorrem mais acidentes, os tipos de veículos ou equipamentos envolvidos, além de analisar as causas e consequências desses eventos para reduzir ocorrência na região.
“Conforme nossa análise dos dados, conseguimos identificar possíveis ações de prevenção ou de mitigação dos efeitos decorrentes de acidentes envolvendo produtos perigosos. Agora, com os dados comparativos à nossa disposição, podemos verificar se as regras e os procedimentos estabelecidos estão efetivamente contribuindo para a redução desses eventos”, afirmou Sukadolnick.
AVANÇO
Cada um dos aproximadamente 3 mil produtos catalogados como perigosos pela Organização das Nações Unidas (ONU) possui suas características únicas e têm um impacto distinto no meio ambiente.
De acordo com a associação, uma ocorrência durante o transporte desses produtos acarreta responsabilidades nos âmbitos administrativo, civil e criminal. Dependendo do grau de danos causados, podem surgir obrigações de reparação, de indenização ou de compensação.
“Continuamos progredindo e trabalhando em conjunto com todas as partes envolvidas, incluindo contratantes, embarcadores, transportadores, motoristas e autoridades”, afirmou o executivo.
“Identifico como uma demanda e desafio essenciais a implementação de procedimentos e de modificações nas vias públicas para incluir sistemas de captação de águas pluviais com tanques específicos para reter produtos perigosos em caso de vazamentos, evitando assim a contaminação de cursos d’água. Essa é uma prioridade absoluta para nós”, completou o vice-presidente.
Em nota, a associação informou que está em fase de desenvolvimento um aplicativo que agilizará ainda mais o compartilhamento dessas informações. Atualmente, essas informações estão sendo coletadas mensalmente apenas no estado de São Paulo, onde a Comissão de Estudos foi estabelecida. No entanto, há planos para expandir essa iniciativa nacionalmente no futuro.
“Esse levantamento desempenha um papel crucial para o setor e para as empresas, pois tem como objetivo principal a prevenção. Ao coletar e analisar esses dados, estamos capacitados a identificar áreas de risco e a implementar medidas preventivas eficazes”, destacou o presidente da ABTLP, José Maria Gomes.